Eu BiPolar No começo era o caos. Eu era só uma criança dita “estabanada, elétrica, desatenta, mal-educada, desobediente”… Eram tantos os rótulos que eu já nem me lembro mais. Para piorar, naquele tempo ninguém sabia o que era ser bipolar e meu pai, um homem rude, tentava me educar na base da pancada. Mas não adiantava. Cinco minutos depois lá estava eu devaneando como um bom bipolar e, por conseqüência natural da minha alma bipolar, fazendo “arte”. Arteiro! Este era outro adjetivo que me davam e ao cabo de cada arte, pancadas. Assim eu fui crescendo, de estabanagem a estabanagem e de surra a surra e o único lugar onde eu gozava de alguma compreensão era na casa de minha avó, Palmira, diante de quem ninguém ousava me erguer a mão. Não era um aluno brilhante, embora fosse bem em matemática e muito mal em português…. Minhas notas davam para o gasto e assim fui levando até meus dez anos Foi mais ou menos nesta época que a minha condição bipolar sofreu um grande golpe. Eu conto depois | ||||||||||
Varais cheiosA mesma janela gradeada que me mostra a lua mostra também meus vizinhos, estes anônimos. E eu fico com uma pergunta: Senhor! Que tanta roupa lava aquela mulher que eu nunca vejo aqueles varais vazios? Deve ser uma plêiade a população daquela casa,... more
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